Estimar a duração e o esforço de um percurso antes de partir
Em trail, 15 km fazem-se em 3 h ou em 5 h consoante acumulem 300 ou 1500 metros de desnível. Eis como obter uma estimativa que tenha em conta o relevo real.
Porque é que uma média quilométrica não basta
Dividir a distância por uma velocidade média habitual dá uma estimativa grosseira, que ignora o essencial: o desnível altera radicalmente o ritmo de uma saída. A mesma distância com muita subida demora significativamente mais tempo do que um percurso plano, e as descidas não compensam inteiramente este custo adicional.
O princípio: a distância e o desnível combinados
O editor calcula uma duração que combina a distância e o desnível: cada metro de subida acrescenta tempo (e, em BTT, cada metro de descida também), segundo valores próprios de sete perfis desportivos — caminhada, trail, BTT, ciclismo de estrada, gravel, caiaque e stand-up paddle.
O método baseia-se no princípio de Naismith: um ritmo base em plano, mais um tempo por cada metro de desnível positivo. Os valores de cada desporto foram afinados com rotas reais; em caminhada, por exemplo, 3,5 km/h e mais uma hora por cada 300 m de D+.
📖 Passo a passo no manual: Como é calculada a duração (tabela de velocidades por desporto) · O ritmo
Um exemplo para medir a diferença
Duas saídas de trail de 15 km dão uma boa ideia da diferença que só o desnível pode criar: a primeira, num perfil ondulado com 300 m de D+, estima-se em cerca de três horas; a segunda, num perfil montanhoso com 1 500 m de D+ para a mesma distância, sobe para cinco horas. A distância idêntica esconde uma realidade de esforço muito diferente — é exatamente isso que a estimativa combinada corrige.
Refinar a estimativa com um perfil pessoal
Escolher um ritmo — de Tranquilo a Máximo, ou a sua própria média — afina o resultado. O simulador de atividade vai mais longe: com a idade e o peso, dá também a frequência cardíaca média e máxima esperadas, uma cadência média e um gasto calórico segundo a atividade escolhida.

📖 Passo a passo no manual: Simular uma atividade · Tabela de marcha
O caso particular dos desportos náuticos
Para o caiaque e o stand-up paddle, o desnível não faz sentido: o relevo não é contabilizado nestas duas atividades, e só a distância entra na estimativa.
Para que serve esta estimativa na prática
O resultado serve sobretudo para definir uma hora de partida realista, prever as reservas de água e comida, ou avaliar se um percurso continua razoável antes do anoitecer — em vez de o descobrir uma vez no terreno. A frequência cardíaca estimada dá também um ponto de referência útil para calibrar o ritmo de partida: partir com uma base próxima da estimativa média, em vez de intensidade máxima desde os primeiros quilómetros, evita ficar sem energia na segunda metade de um percurso ondulado.
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